segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tal o Médium, tal a Mediunidade

“Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas.”
1 Coríntios, cap. XIV: 32.

A afirmativa de Paulo é de uma profundidade admirável. Em poucas palavras, ele define bem o papel dos médiuns nas comunicações: “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas”.
Sem rodeios, o Apóstolo quis dizer que o médium atrai os espíritos com os quais se afiniza e que, de certa forma, os espíritos que por ele se expressam se lhe submetem...
Se lhe submetem ao quê?! – muitos formulariam a indagação. Sem a pretensão de uma resposta definitiva, redarguiríamos: se lhe submetem aos conhecimentos, se lhe submetem aos sentimentos, se lhe submetem aos propósitos, se lhe submetem à vontade...
É claro que os espíritos que não aceitam tal ou qual médium, procuram outro e... se lhe submetem. A recíproca igualmente é válida: o médium também está sujeito aos espíritos que por ele se expressam... Sujeito às suas intenções, sujeito aos seus anseios, sujeito à sua condição espiritual...
Vejamos que a responsabilidade do medianeiro no intercâmbio entre as duas dimensões é fundamental. O médium pode, e, infelizmente, isso é o que quase sempre acontece, distorcer a opinião do espírito, alterar o seu parecer, mudar o teor de suas palavras, forçar a sua interpretação... Têm razão os que dizem que, em determinados médiuns, fica difícil separar o que pertence a eles
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do que pertence aos espíritos, mas semelhante colocação nem sempre evidencia a fidelidade do médium em relação ao espírito comunicante.
É comum que médiuns, a fim de verem acatadas as opiniões que lhes são próprias, as atribuam aos espíritos, transferindo-lhes a paternidade de suas ideias...
Observemos, ainda, que a personalidade do médium pode acabar interferindo na personalidade dos espíritos, assim como a convivência de uma pessoa com outra pode influenciá-la. O médium despojado de qualquer interesse pessoal estabelecerá sintonia com espíritos de bom senso, espíritos conscientes de suas limitações e que não hesitarão em declinar seus equívocos...
Portanto, para os espíritos, é preferível um médium que seja menos médium do que um que o seja em excesso mas sem o mínimo discernimento.
Em mediunidade, o caráter do médium chega a ser mais importante que a mediunidade em si...
Sintetizando: a alma do médium atrai o espírito com o qual se compraz e por ele deixa-se empolgar nos interesses que lhes são comuns. Tal o médium, tal a mediunidade...

Odilon Fernandes

Do livro: Mediunidade e Apostolado
Psicografia: Carlos A. Baccelli
Editora: Didier

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(Página de abertura da Reunião Pública do CELD no dia 24/05/2010)