Ora, o que as religiões e os filósofos nos deixaram todos ignorar, os espíritos vêm, em multidão, nos ensinar. Eles nos dizem que as sensações que precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependem sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do espírito que deixa a Terra. A separação é quase sempre lenta, e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Começa, às vezes, muito tempo antes da morte e só se completa quando os últimos laços fluídicos que unem o corpo ao perispírito são rompidos. A impressão sentida é tanto mais penosa e prolongada quanto esses laços são mais tenazes e mais numerosos. A alma, causa permanente da sensação e da vida, experimenta todas as comoções, todas dilacerações do corpo material.
Dolorosa, cheia de angústia para uns, a morte é para outros apenas um sono suave seguido de um despertar agradável. O desprendimento é rápido, a passagem fácil, para aquele que cumpriu seus deveres, desvencilhou-se previamente das coisas desse mundo e aspira aos bens espirituais. Há, ao contrário, luta, agonia prolongada no espírito apegado à Terra, que só conheceu os prazeres materiais e negligenciou preparar-se para a partida.
Em todos os casos, entretanto, a separação da alma e do corpo é seguida de um tempo de perturbação, fugitivo para o espírito justo e bom, que desperta logo para todos os esplendores da vida celeste; bem longo ao ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluidos grosseiros. Entre estas, muitas creem viver a vida corporal muito tempo depois da morte. O perispírito não é senão um segundo corpo carnal, aos seus olhos, submetido aos mesmos hábitos, às vezes, às mesmas sensações físicas que durante a vida.
Léon Denis
Do livro: Depois da Morte
Léon Denis – Gráfica e Editora