Até hoje, os detratores da Doutrina insistem na tese de que o contato com os espíritos é causa de desequilíbrio. Esta “lenda” nasceu, porque os médiuns, considerados então loucos, foram para os centros espíritas, e combatendo a causa de sua suposta loucura, se curaram... Quase todos os medianeiros a serviço no Espiritismo encontraram nele o seu ponto de equilíbrio espiritual.
Se se fosse realizar uma estatística honesta nos hospitais psiquiátricos, verificar-se-ia, sem maiores entraves, que os chamados perturbados mentais são originários de outras crenças religiosas, e não das fileiras espíritas.
A Doutrina Espírita já foi acusada de induzir os seus adeptos ao suicídio, de incentivar o fanatismo, de provocar a alienação de seus profitentes... No entanto, apesar de todas as injustiças que padece, ela prossegue espalhando inúmeros benefícios, indiferente às acusações que, por preconceito, lhe são desferidas.
Foi o Espiritismo que diagnosticou e apontou o tratamento para a obsessão.
Como esclarece Kardec, se algum companheiro se perturba no exercício da mediunidade ou comete algum desatino na condição de espírita, é porque o seu carma falou mais alto...
A mediunidade, em si, não é, portanto, um estado de morbidez mental; se o é, semelhante loucura vem se alastrando de forma espantosa sobre o mundo todo... Sim, porque não apenas os espíritas são médiuns... Em todos os países, em muitos dos quais a Doutrina Espírita sequer ainda é conhecida, surgem sensitivos no intercâmbio com o mundo espiritual. A própria Igreja, antes tão conservadora e preconceituosa, ultimamente vem admitindo o que denomina “dom carismático” entre os seus seguidores, numa tentativa, quem sabe, de reconquistar os adeptos que perdem para outras religiões...
Iluminada pelo Evangelho, a Doutrina Espírita, em retomando o movimento cristão dos três primeiros séculos, segue os preceitos do Cristo que recomendou aos apóstolos: “Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente.”
Odilon Fernandes
Do livro: Mediunidade e Evangelho
Psicografia: Carlos A. Baccelli
Editora: IDE