Qualquer que seja seu estado de adiantamento, o espírito que acaba de deixar a Terra não poderia aspirar a viver, indefinidamente, dessa vida superior. Sujeito à reencarnação, essa vida é para ele apenas um tempo de repouso, uma compensação devida aos males suportados, uma recompensa oferecida aos seus méritos. Aí se retempera e se fortifica para as lutas futuras. Mas, no futuro que o aguarda, não encontrará mais as angústias e os cuidados da vida terrestre. O espírito elevado é chamado a renascer em mundos melhor dotados que o nosso. A escala grandiosa dos mundos comporta inumeráveis graus, dispostos para a ascensão das almas; cada uma delas escala-os por sua vez.
Nas esferas superiores à Terra, a matéria tem menos império. Os males que engendra atenuam-se à medida que o ser progride, e terminam por desaparecer. Aí, o homem não se arrasta penosamente sobre o solo, acabrunhado sob a atmosfera pesada; desloca-se com facilidade. As necessidades corporais aí são quase nulas, e os rudes trabalhos, desconhecidos. A existência, mais longa que a nossa, desenrola-se no estudo, na participação nas obras de uma civilização aperfeiçoada, que tem por base a moral mais pura, o respeito aos direitos de todos, a amizade e a fraternidade. Os horrores da guerra, as epidemias, os flagelos não acontecem mais, e os interesses grosseiros, causa de cobiças nesse mundo, não dividem mais os espíritos.
Léon Denis
Do livro: Depois da Morte
Léon Denis – Gráfica e Editora