Quando chega a hora de reencarnar, o espírito se sente arrastado por uma força irresistível, por uma misteriosa afinidade, para o meio que lhe convém. Aí está uma hora de angústia, mais terrível que a da morte. Em realidade, a morte é apenas a libertação dos laços carnais, a entrada numa vida mais livre, mais intensa. A encarnação, ao contrário, é a perda dessa vida de liberdade, um amesquinhamento de si mesmo, a passagem dos claros espaços à prisão obscura, a descida num abismo de lama e de miséria, onde o ser será submetido a inúmeras necessidades tirânicas, é por isso que o desgosto, o pavor, o abatimento profundo do espírito, no limiar desse mundo tenebroso, são fáceis de conceber: é mais penoso, mais doloroso renascer do que morrer.
Homem, resigne-se, portanto, e suporte com coragem as provas inevitáveis, mas fecundas, que apagam suas manchas e lhe preparam um futuro melhor! Imite o lavrador que vai em frente, curvado sob o Sol ardente ou açoitado pelo vento frio e seco, e cujos suores regam o solo, o solo escavado, rasgado como seu coração pelo dente de ferro, mas de onde sairá a colheita dourada que fará sua felicidade.
Evite os desfalecimentos que lhe reconduziriam sob o jugo da miséria e pesariam sobre suas vidas futuras. Seja bom e virtuoso, a fim de não se deixar retomar pela terrível engrenagem do mal e suas consequências. Fuja das alegrias aviltantes, das discórdias, das vãs agitações da multidão. Não é nas discussões estéreis, nas rivalidades, na cobiça das honras e dos bens, que encontrará a sabedoria, o contentamento de si mesmo; é no trabalho e na prática da caridade; é na meditação solitária; no estudo concentrado, frente à sua própria consciência e da Natureza, esse livro admirável que traz a assinatura de Deus.
Léon Denis
Do livro: Depois da Morte. CELD