quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Egoísmo

Não haverá, pois, paz entre os homens, não haverá segurança, felicidade social, enquanto o egoísmo não for vencido, enquanto os privilégios, as desigualdades chocantes não desaparecerem e cada um participar, na medida do seu trabalho e dos seus méritos, no bem-estar de todos. Não pode haver nem paz nem harmonia sem a justiça. Enquanto o egoísmo de uns se nutrir dos sofrimentos e das lágrimas dos outros, enquanto as exigências do eu abafarem a voz do dever, o ódio dividirá os espíritos, tempestades preparar-se-ão, secretamente, no seio das sociedades.

Graças, porém, ao conhecimento do nosso futuro, a ideia de solidariedade acabará por prevalecer. A lei do retorno à carne, a necessidade de renascer em condições modestas, serão outros tantos aguilhões que reprimirão o egoísmo. Diante dessas perspectivas, o sentimento exagerado da personalidade atenuar-se-á para nos dar uma noção mais exata do nosso lugar e do nosso papel no Universo. Sabendo-nos ligados a todas as almas, solidários no seu adiantamento e felicidade, interessar-nos-emos mais pela sua situação, seus progressos, seus trabalhos. À medida que esse sentimento for se espalhando pelo mundo, as instituições, as relações sociais melhorarão; a fraternidade, essa palavra banal repetida por tantas bocas, descerá até os corações e tornar-se-á uma realidade. Nós nos sentiremos viver nos outros, desfrutaremos de suas alegrias e sofreremos pelos seus males. Não haverá mais, então, um só lamento sem eco, uma só dor sem consolação. A grande família humana, forte, pacífica, unida, avançará com passo mais rápido em direção aos seus magníficos destinos.

Léon Denis

Do livro: Depois da Morte
Léon Denis – Gráfica e Editora

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(Página de abertura da Reunião Pública do CELD no dia 13/05/2010)