Graças, porém, ao conhecimento do nosso futuro, a ideia de solidariedade acabará por prevalecer. A lei do retorno à carne, a necessidade de renascer em condições modestas, serão outros tantos aguilhões que reprimirão o egoísmo. Diante dessas perspectivas, o sentimento exagerado da personalidade atenuar-se-á para nos dar uma noção mais exata do nosso lugar e do nosso papel no Universo. Sabendo-nos ligados a todas as almas, solidários no seu adiantamento e felicidade, interessar-nos-emos mais pela sua situação, seus progressos, seus trabalhos. À medida que esse sentimento for se espalhando pelo mundo, as instituições, as relações sociais melhorarão; a fraternidade, essa palavra banal repetida por tantas bocas, descerá até os corações e tornar-se-á uma realidade. Nós nos sentiremos viver nos outros, desfrutaremos de suas alegrias e sofreremos pelos seus males. Não haverá mais, então, um só lamento sem eco, uma só dor sem consolação. A grande família humana, forte, pacífica, unida, avançará com passo mais rápido em direção aos seus magníficos destinos.
Léon Denis
Do livro: Depois da Morte
Léon Denis – Gráfica e Editora